segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Continua a luta...mesmo a sáerio...

A Escola C+S de Alfragide, arredores de Lisboa, foi hoje alvo de um boicote às aulas, tendo de manhã os portões sido fechados a cadeado, situação que a Polícia, entretanto, já desbloqueou.

A Polícia, chamada a intervir, rebentou com os cadeados cerca das 9h30 de hoje, mas as centenas de alunos continuam fora do recinto escolar. Antes, as forças policiais intervieram com alguma violência junto de alguns alunos das escolas que estavam concentrados junto aos portões do estabelecimento de ensino.

"Eles (polícias) empurraram-me e agarraram-me no pescoço", disse ao Expresso Carlos Sousa, de 17 anos, um dos estudantes agredidos pela Polícia.

Bruna Cruz, de 12, anos, foi outra estudante agredida. "Bateram-se com o cacetete nos pernas", disse a estudante, indignada com a intervenção policial.

O fecho dos portões estará relacionado com a manifestação de professores realizada sábado, como forma de protesto contra a política de educação idealizada pelo Governo. Ninguém reivindicou até agora a autoria do fecho da escola e a Polícia escusa-se a dar mais informações.

Cerca das 9h50, e já com os portões abertos, alguns alunos entraram no estabelecimento mas começaram depois novamente a sair, tendo um dos estudantes gritado para a portaria que tinham sido obrigados a entrar.

Alguns professores entraram na escola, mas a grande maioria continua fora do recinto. Fora do recinto permanecem dezenas de encarregados de educação.

Entretanto, uma criança ficou ferida na sequência de uma carga policial. A criança está em casa com as costas marcadas e em sangue, disse a mãe da estudante.

Irene C. afirma que a filha, depois de agredida, foi para casa, tendo a progenitora recebido um telefonema já no trabalho a dar conta da situação.

Em frente à escola C+S de Alfragide, Irene C. adiantou que aguarda pela chegada da filha para ir com ela à esquadra apresentar queixa. "Isto é uma vergonha. O que é que a Polícia faz de cassetete na mão contra uma criança de 10 anos?", questiona a mãe da criança ,visivelmente irritada.

Confrontada pela Lusa com a acusação, fonte da Polícia limitou-se a responder: "Terá de perguntar às crianças. Aqui não se resolve nada. Elas é que começaram com isto tudo".

Entretanto, são já menos os alunos que se encontram fora do recinto escolar onde também são poucos os professores, tendo a maioria deles entrado já para o estabelecimento de ensino.

Por outro lado, os que se mantêm fora da escola - cerca de uma centena - gritam palavras de ordem "Não há aulas" e afirmam que o protesto é contra o estatuto do aluno, contando com o apoio dos estudantes e da grande maioria dos professores.

Questionados sobre quem acorrentou os portões da escola a cadeado, todos afirmaram desconhecer quem o terá feito.

Ninguém tinha um gatito morto, não? para dar nos cacetetes?

©PetehuntToons
Até que o gato mie!